| O
menino Lázaro, com apenas 06 anos de idade, já se
constrangia e se indagava ao assistir a discussões e contendas
que terminavam em lágrimas, sangue e até mesmo em
mortes violentas. Essa impressão terrível não
mais se apagaria de sua mente.
Desde
menino era prudente, modesto, pensativo e estudioso e em sua mente
de gênio já se apresentava a idéia de elaboração
de uma única língua neutra internacional. Na escola
mostrava talento e cultura invulgares para escrever e era admirado
pelos professores e amigos. Possuía uma conduta tranqüila
e maneiras gentis. Nunca se mostrava superior a quem quer que fosse,
nem em casa nem na escola.
Na
5ª série primária começou a estudar o
inglês e ainda muito jovem estudou o francês e o alemão.
Iniciando o curso ginasial, passou a estudar fervorosamente as línguas
latina e grega, examinando a possibilidade de uma delas se constituir
em língua internacional. Todavia, até a língua
latina era difícil e cheia de antigas e inúteis formas.
Mais simples, mais conveniente para o uso atual deveria ser uma
língua sonhada. Ela deveria ser de aprendizagem rápida
e acessível também ao povo e não apenas aos
letrados. O fundamento da língua sonhada deveria ser a simplicidade
e a lógica.
Nesse
ínterim, a família transferiu-se para Varsóvia.
Quando cursava a última série ginasial, já
havia concluído o seu projeto sobre a Língua Universal.
No dia 05 de dezembro de 1878, ele e um grupo de 6 ou 7 colegas
do ginásio festejaram, ao redor de um bolo preparado carinhosamente
por sua mãe, o nascimento da Língua Internacional.
Na verdade, o projeto naquele dia comemorado era apenas um forma
embrionária do que mais tarde seria o ESPERANTO.
Terminado
o ginásio, foi mandado para Moscou, onde iria estudar Medicina.
Antes, porém, o jovem ZAMENHOF teve de prometer ao pai que
abandonaria a idéia da língua universal, pelo menos
provisoriamente, até terminar o curso de Medicina, e teve
de entregar-lhe, naquele dia, os cadernos que continham os originais.
Seus
pais não puderam mantê-lo em Moscou e fizeram-no regressar
a Varsóvia. Contava então 22 anos de idade. Durante
o seu afastamento, seu pai, "prudente e rigoroso", por
amor ao seu filho, temendo por seu futuro, queimou todos os
manuscritos sobre a Língua Internacional.
Tão
logo voltou à casa paterna, procurou por seus manuscritos
e, não os encontrando, perguntou à mãe por
eles. A resposta materna foram apenas lágrimas e silêncio.
Lázaro Luiz adivinhou tudo. Procurou o pai e pediu-lhe para
desfazer a promessa, pois queria dar continuidade ao seu grandioso
trabalho. Tinha guardado na memória tudo o que continham
os originais queimados. Fervorosamente refez tudo.
Só
depois de experimentos exaustivos e comprovações minuciosas
com os estudos da gramática e vocabulário intensamente
vividos e testados foi que considerou pronta a sua obra. Estava
nessa época com 28 anos de idade.
Mas
restava um último detalhe: como publicá-la,
sendo sua situação financeira bastante precária?
De onde viriam os recursos? Um auxílio surgiu
de onde ele menos esperava. Seu futuro sogro, homem afeito à
cultura, financiou totalmente a publicação da obra,
e, a 26 de julho de 1887 saía da oficina gráfica o
seu primeiro livro.
Era
uma gramática com as instruções em russo e
chamava-se "LINGVO INTERNACIA", de autoria de "DOKTORO
ESPERANTO". Esse pseudônimo, que na nova língua
significa "DOUTOR QUE TEM ESPERANÇA", com o decorrer
do tempo, passou a ser usado por seus aprendizes, para denominar
a própria língua: ESPERANTO. Pouco tempo depois eram
lançadas as edições em polonês, francês,
alemão , etc. Nesta ocasião Zamenhof teve que adotar
outro pseudônimo, e optou pelo de "Unuel",
o que revela a sua grande humildade. UNUEL é composto pelas
palavras unu (um) e el (entre), pois Zamenhof considerava-se apenas
um dentre os demais esperantistas, não aceitando que o chamassem
de Mestre.
Sem
deixar a profissão, já médico formado, ZAMENHOF
trabalhou ardorosamente na divulgação da Língua
Internacional. Tamanha importância deu à propagação
de seu ideal que, só depois de concluída e editada
sua obra, veio a casar-se com CLARA SILBERNIK, com quem teve 06
filhos.
As
pessoas que aderiram à língua neutra ficaram encantados
com a força unificadora do ESPERANTO, e renderam-se à
autoridade irresistível do grande missionário ZAMENHOF,
cujos talentos de pensador profundo, intelectual vigoroso, artista
inspirado e condutor nato sustentaram a causa com tal genialidade
que nenhuma força, interna ou externa, pôde jamais
destruí-la.
Toda
a vida do DOUTOR ESPERANTO foi tecida de sacrifícios, abnegação
e devotamento. Espírito verdadeiramente superior, era extremamente
humanitário e solidário, cultivava a tolerância
e era afável com todos, nunca perdendo uma oportunidade de
ser caridoso. No exercício de sua profissão agia sob
o impulso do desprendimento, não obstante haver permanecido
sempre pobre. Dos camponeses jamais exigia honorários, chegando
mesmo a dar-lhes dinheiro e a pedir a fazendeiros ricos auxílio
para o socorro de sua clientela sem recurso.
Certa
ocasião, após atender a crianças gravemente
feridas num incêndio, inteirou-se de que o fogo havia destruído
a propriedade de seus pais, reduzindo-os a absoluta miséria.
ZAMENHOF deu-lhes todo o dinheiro que possuía, sem se preocupar
em reservar algum para o regresso ao lar em longa viagem. Recorre
para esse fim a um rico cliente das redondezas, para que lhe empreste
o necessário para o seu regresso.
Um
outro dia, no caminho que habitualmente percorre, encontra um carroceiro
em prantos pela morte do seu cavalo, esgotado pelos esforços
numa estrada coberta de lama. ZAMENHOF oferece-lhe 50 rublos para
que o pobre homem tenha com o que comprar outro animal e assim assegurar
o seu sustento.
De
certa feita, após assistir uma agonizante idosa, juntamente
com 4 outros colegas, recusa-se a receber da família polpudos
honorários, considerando que a doença culminou com
a morte da paciente. ZAMENHOF sempre se dedicou a seus clientes
pobres, proporcionando-lhes até o fim de sua carreira dois
dias da semana para consultas gratuitas, pedindo ao seu filho ADAM,
igualmente médico, que continuasse essa prática.
Nos
mínimos gestos e atitudes revelava-se a nobreza de seu caráter.
Em Boulogne-sur-mer, França, por ocasião do 1º
Congresso Universal de Esperanto, comparece, embora judeu,
a uma missa do culto romano. A uma fervorosa Esperantista que lhe
pede um autógrafo no recinto da Igreja ZAMENHOF sussurra:
"Com muito prazer, minha senhora, mas eu lhe peço
que seja em outro lugar - aqui é um lugar sagrado".
Os
pequeninos, os sofredores e particularmente aqueles que atravessaram
a prova da cegueira, dedicavam entranhada veneração
pelo bondoso oftalmologista de Varsóvia, ramo da Medicina
em que se especializou, e quando ZAMENHOF visita Cambridge, para
os festejos do 3º Congresso Universal de Esperanto,
encontra-se com muitos cegos esperantistas provenientes de outros
países, todos alojados numa mansão às expensas
de outro grande pioneiro esperantista, THEÓFILE CART. Zamenhof
cumprimentou cada um à parte, encorajou-os ao otimismo e
de todos recebeu ardorosos agradecimentos pelo idioma que lhes proporcionava
uma pequena claridade em seu mundo sem luz. Mas os cegos lhe pediram
outro privilégio: queriam tocá-lo com as mãos,
conhecer melhor aquele que nunca poderiam ver.
E
suas mãos que, de forma tão extraordinária,
traduzem pensamentos e emoções, tocavam respeitosamente
o corpo pequeno e frágil, a barba, os óculos de lentes
ovais, a larga calva do genial missionário polonês.
Naquele momento, Zamenhof, profundamente emocionado, pensava nas
crianças judias cujos olhos foram vazados durante um "progrom"
na sua cidade natal de Bialystok.
Traído
por um companheiro de ideal esperantista, em quem depositava absoluta
confiança, ZAMENHOF deu profundo exemplo de tolerância
e amor cristão, chegando a ser criticado por outros adeptos
por ter feito longa viagem ao encontro do seu ex-amigo, o traidor,
só para perdoá-lo.
Um
dos grandes ideais de Zamenhof era dar aos religiosos de todas as
correntes um fundamento neutro concreto para que se aproximassem
em nome do Bem da Humanidade. Seu desejo era que todos os livros
sagrados de todas as religiões fossem vertidos para o ESPERANTO.
Ele próprio traduziu o Velho Testamento. Dizia que: "Se
todos os fundadores de religiões pudessem encontrar-se pessoalmente,
eles se apertariam as mãos reciprocamente, como amigos, porque
todos tiveram um único objetivo: fazer com que os homens
se tornassem bons e felizes".
O
ideal Esperantista fê-lo pairar acima de sua própria
identidade nacional e racial. Quando o convidaram para a festa de
fundação da sociedade judaica internacional em Paris,
respondeu:"Estou profundamente convencido de que
todo nacionalismo representa tão-somente um grande prejuízo
para a Humanidade, sendo de opinião de que o objetivo principal
de todas as criaturas deveria ser a criação de uma
Humanidade harmônica. É certo que o nacionalismo dos
oprimidos - como reação natural de autodefesa - é
muito mais desculpável do que o nacionalismo dos opressores.
Mas,se o nacionalismo dos fortes é vil, o nacionalismo dos
fracos é imprudentes, ambos se engendram e se sustentam reciprocamente,
dando lugar a um círculo vicioso de infelicidades, do qual
a Humanidade jamais sairá se cada um de nós, fazendo
o sacrifício de seu amor-próprio grupal, não
tentar o encontro num terreno absolutamente neutro. Eis porque,
apesar dos pungentes sofrimentos de minha raça, não
quero aderir a um nacionalismo judeu, preferindo trabalhar apenas
para uma absoluta justiça entre os homens. Estou profundamente
convencido de que assim proporciono a meus irmãos maior soma
de bem do que se aderisse a um movimento nacionalista".
Mas,
a mais expressiva homenagem, por nascer do coração
de uma alma simples, foi a que lhe fez a velha criada da família
Zamenhof. Ela era católica romana, mas durante toda a sua
vida guardou em seu quarto, sob um crucifixo, uma fotografia de
ZAMENHOF. Aos visitantes ela costumava mostrar esse retrato, dizendo:
"Ele nunca pecou!"
O
nobre espírito de LÁZARO LUIZ ZAMENHOF legou à
família humana o instrumento ideal para a comunicação
entre seus membros, engolfados numa consternadora multiplicidade
de línguas e dialetos a entravar-lhes a marcha do progresso.
Em
outubro de 1889 apareceu a primeira lista de endereços, com
1000 nomes de pessoas de diversos países, simpatizantes do
ESPERANTO. Foram fundados clubes, mensários e revistas dando
força a um movimento internacional que veio crescendo, pouco
a pouco, sem interrupção.
Em
1905, já acontecia na França, na cidade de Bolonha
do Mar, o 1º Congresso Mundial de Esperanto,
onde se reuniram centenas de pessoas de vários países,
comunicando-se em uma única língua.
Em
1910, foi realizado o VI CONGRESSO UNIVERSAL DE ESPERANTO,
em Washington, Estados Unidos da América e o BRASIL nele
se fez representar pelo Prof. JOÃO BATISTA DE MELO SOUZA,
com apenas 21 anos de idade, que fez ver ao Dr. Zamenhof que não
existia em sua gramática a palavra saudade. Zamenhof achou
muito interessante a idéia e tratou de incluí-la na
língua internacional, que a incorporou com os vocábulos
sopiro, sopirado, resopiro e sãudado (poético).
Em
1914 seria realizado o 10º Congresso, em Paris,
mas tal não aconteceu devido à deflagração
da Primeira Guerra Mundial. Já estavam inscritas 3.700 pessoas
para esse Congresso, frustrado pela incompreensão dos homens.
Em
14 de abril de 1917, sempre desejando a Paz, faleceu ZAMENHOF, na
cidade de Varsóvia. Afastava-se esse grande homem, definitivamente,
do convívio de seus familiares para retornar às suas
atividades em favor da Humanidade, agora sem o fardo físico,
que lhe serviu durante 57 anos.
O
seu corpo repousa no cemitério israelita de Varsóvia,
juntamente com o de CLARA, o amor de toda a sua vida e sua incansável
colaboradora. Hoje lá podemos encontrar flores ofertadas
por esperantistas de todo o mundo.
ZAMENHOF
foi um homem iluminado, de moral superior, dotado de extraordinária
força de vontade na divulgação de seu ideal
humanístico. Foi um verdadeiro universalista, pacifista e
pensador que lutou contra toda espécie de sectarismo.
Todos
os anos, no dia 15 de dezembro, realizam-se eventos esperantistas
no mundo inteiro, para comemorar o aniversário do criador
da LÍNGUA ESPERANTO.
(Se
você quer saber o que diz a Espiritualidade sobre esse grande
homem, continue lendo...)
MAS
AFINAL O QUE DIZEM OS ESPÍRITOS SOBRE O ESPERANTO?
É bom sabermos que a idéia
de criação de uma Língua Neutra Internacional
nasceu nas regiões esclarecidas do Espaço. Foi concebida
por gênios diretores da evolução dos Espíritos
sobre a Terra, e faz parte integrante do programa da Terceira Revelação.
Informa-nos
o Espírito WALDOMIRO LORENZ, pela mediunidade de CHICO
XAVIER, na página 144 do livro "O
Esperanto como Revelação", o seguinte:
"Verificando
as imensas dificuldades para o intercâmbio de tribos e povos
desencarnados, Especialistas Espirituais de fonética, etimologia
e onomatopéia (palavras cujo som imita a natureza), empreenderam
a formação de um idioma internacional para entendimento
rápido nas regiões espaciais vizinhas do Globo, multiplicando,
em vão tentames e experiências, até que um dos
grandes missionários da Luz, consagrado à concórdia,
tomou a si o exame e a solução do problema."
Esse
grande missionário era aquele que mais tarde, reencarnado,
tornou-se o Dr. ZAMENHOF. Ainda no Mundo Espiritual este valoroso
espírito pesquisou perseverantemente os mecanismos das associações
vocabulares da fala humana, bem como a psicologia das raças
que transparecia por detrás das palavras. Estudou as características
de cada povo e as suas maneiras peculiares de expressão.
Analisou as línguas-troncos dos árias e demorou-se
no estudo do latim.
Inspirado
por seus instrutores espirituais, escolheu genialmente as bases
racionais latinas. E após demorados estudos estavam assentadas
as estruturas da futura Língua Neutra Internacional.
É
curioso notar a coincidência da Codificação
Kardequiana com a reencarnação de Zamenhof, que se
deram exatamente na época em que o Homem tornou-se capaz
de melhor entender e acolher as mensagens de ordem superior.
Originado
no Mundo Espiritual, o Esperanto tem recebido o apoio incondicional
dos Espíritos responsáveis pelo progresso da Humanidade,
constituindo-se isso uma garantia do seu futuro promissor.
EMMANUEL,
um dos Espíritos divulgadores da Doutrina Espírita,
escreveu, pela mão abençoada de Chico Xavier, uma
mensagem a ISMAEL GOMES BRAGA, com o título "A
Missão do Esperanto", na qual dizia:
"A
língua auxiliar Esperanto é um dos mais fortes chamamentos
à fraternidade já ouvidos sobre este planeta empobrecido
de valores espirituais. Sua missão é a grande tarefa
de unificação e confraternização, objetivando
a união universal. Seu princípio é a concórdia
e os seus apóstolos são igualmente companheiros de
trabalho de todos os que se sacrificam em favor do divino ideal
de solidariedade humana".
Os
Espíritos BEZERRA DE MENEZES, CAMILO CASTELO BRANCO, LÉON
DENIS, VICTOR HUGO e CHARLES nos dão lições
esclarecedoras sobre a existência de Academias modelo de Esperanto
no Mundo Espiritual, das quais os encarnados colhem a inspiração
para os trabalhos em favor do Esperanto na Terra. O Esperanto é
a mais concreta lição de fraternidade que envolve
o Mundo.
O
ESPIRITISMO e o ESPERANTO caminham de mãos dadas
Federação
Espírita do Paraná |
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