ENTREVISTA COM O DR DECIO IANDOLI JR
Publicada no site Terra espiritual em 2006
TE - Dr. Décio, como o senhor tornou-se espírita?
DI - Após um contato, feito de maneira inesperada, entre meu avô, desencarnado em 1987, e eu, por intermédio de uma médium, tive a certeza da existência de espíritos e da possibilidade de comunicação com eles. Um pouco mais tarde, após o desencarne da minha avó, procurei uma amiga, espírita, para que me explicasse alguns fenômenos que eu havia experimentado e ela me deu o "Nosso Lar" e o "Livro dos Espíritos", desde então descobri que era espírita.
TE - Como o fato de ser espírita o auxilia no exercício da medicina?
DI - A doutrina me trouxe uma consciência maior sobre a importância e os reais objetivos do meu trabalho. Saímos da Universidade com a ilusão de que somos capazes de curar e nos esquecemos que nossa tarefa é auxiliar e instruir. Além disso, a noção do ser humano como um ser integral, levando em consideração todos os aspectos de sua constituição é algo que leva nossa competência profissional a um outro patamar.
TE - O senhor tem uma grande preocupação com a humanização da medicina. Os médicos perderam a dimensão humana dos pacientes? A medicina virou um negócio?
DI - A minha preocupação com a humanização da medicina não tem um motivo tão altruísta quanto possa parecer, já que uma das maiores vítimas da medicina materialista e mercantilista é o próprio médico. Acredito que o médico, pelo menos a grande maioria deles, não perdeu a dimensão humana dos seus pacientes, apenas ele não dá a ela o devido valor. Faz-se necessário e urgente uma mudança no paradigma médico, abrindo uma nova perspectiva para a medicina e para os que se servem dela.
TE - Qual deve ser a correta postura do médico?
DI - Acho que a melhor palavra é "companheiro". Acredito que o médico deve ser o coordenador de uma equipe composta pelo paciente, sua família e todos os profissionais que se façam necessários para conquistar o objetivo final que é proporcionar bem estar físico, psicológico, social e espiritual ao paciente mesmo que a evolução seja para o desencarne.
TE - Com tantos relatos sobre experiências de quase-morte (EQM), passes magnéticos e outros fenômenos ligados ao espírito, por que a medicina convencional ainda não reconhece os postulados espíritas?
DI - Todas as grandes mudanças são lentas e traumáticas, os postulados espíritas trazem idéias e conceitos que, apesar de "revolucionários", já são foco de grande atenção na comunidade acadêmica internacional. Na minha opinião é uma questão de tempo.
TE - Recentemente surgiu um ramo da medicina chamado de neuroteologia. A união da medicina com a ciência do espírito é um caminho sem volta?
DI - Certamente. Independente da doutrina espírita, esta revolução já se iniciou em todo o mundo e é irreversível.
TE - Como será a medicina do futuro? Como vai ser a busca da cura das doenças?
DI - A medicina do futuro é a medicina do Cristo, ou seja, tratar as patologias da alma pela reforma íntima; esta excluirá qualquer tipo de doença que conhecemos. É bom ressaltar que ainda estamos muito distantes desta possibilidade, sendo assim, ainda necessitados da medicina do corpo físico tal qual a conhecemos e tal qual se desenvolve pela inclusão tecnológica de hoje. Temos ainda a medicina "vibracional" (Richard Gerber) onde são levadas em conta as estruturas extra-físicas do homem e com tratamentos que já estão disponíveis, como por exemplo a acupuntura, a homeopatia, entre outras. Nesse sentido, podemos dizer que os centros espíritas são postos de saúde, onde já se pratica a medicina do futuro, preocupando-se com os conceitos morais e espirituais, promovendo a reforma íntima e ministrando a fluidoterapia por meio dos passes, da água fluidificada e da desobssessão para um adequado apoio ao enfermo.
TE - A Experiência de quase-morte é um fenômeno divulgado até pelo cinema. As EQM são comuns? O que as caracteriza? Que contribuições o seu estudo traz?
DI - As EQMs são muito mais comuns do que se imagina, acho que a porcentagem mais fidedigna que temos com relação à sua ocorrência é aquela encontrada pelo trabalho do Dr. Van Lommel e que gira em torno de 12% dos que tiveram morte clínica. A característica principal é que os paciente se lembram com nitidez de vários eventos ocorridos durante o período em que seus cérebros estavam inertes e, principalmente, que esta experiência lhes é muito real e lhes transforma a maneira de ver a vida, tornando-as pessoas mais tranqüilas e equilibradas. A contribuição deste estudo é, inegavelmente, a conclusão de que a mente é independente do cérebro, a chamada dualidade cérebro-mente, conceito muito combatido pelos materialistas e que nos conduz inevitavelmente ao conceito da reencarnação.
TE - Muitos grupos espíritas costuma visitar hospitais e utilizado a fluidoterapia nos pacientes que se mostram receptivos. Qual sua opinião sobre a utilização da fluidoterapia como tratamento complementar?
DI - É fundamental. A fluidoterapia traz resultados significantes e os pacientes que a aceitam não podem ser privados disso, acho que além de desejável, é quase que uma obrigação dos espíritas disponibilizar este tipo de tratamento aos doentes.
TE - Como o senhor vê o atual estágio da Terapia de Vida Passada (TVP)?
DI - É outra terapêutica importantíssima, mas só deve ser realizada por um profissional devidamente treinado e com uma indicação terapêutica precisa. Vejo com muita apreensão o uso deste tipo de procedimento como uma experiência para satisfazer a curiosidade. A TVP é outra evidência científica da reencarnação, principalmente após o trabalho do Dr. Julio Perez com o SPECT (técnica de diagnóstico de neuroimagem funcional), mostrando que as experiências são realmente lembranças e não alucinações.
TE - A reencarnação é um conceito bem aceito, inclusive entre os seguidores de correntes religiosas não reencarnacionistas. A que o senhor atribui este fato?
DI - A reencarnação, assim como a noção da existência de Deus são conceitos intrínsecos do ser humano, ou seja, temos esta consciência inata que muitas vezes é suprimida pela cultura vigente em nosso meio social.
TE - O que a Doutrina Espírita trouxe para sua vida?
DI - Uma revolução. Sinto-me muito feliz e realizado em todos os setores da minha vida, além de poder estar discutindo estes assuntos no meio acadêmico, mas acima de tudo, poder estar trabalhando para vencer as minhas inúmeras limitações com mais serenidade, pois sei que posso contar com a espiritualidade, desde que eu esteja receptivo a ela.
TE - Quais os projetos que o senhor está desenvolvendo atualmente?
DI - Tenho um terceiro livro já pronto, em processo de finalização na editora, ele trata justamente de temas como os discutidos nesta entrevista, além disso estamos desenvolvendo duas linhas de pesquisa na UNISANTA, dentro do curso de extensão universitária que a AME-Santos desenvolve lá. A primeira é sobre as alterações fisiológicas da mediunidade e a segunda é sobre fluidoterapia em plantas e pequenos animais.
TE – Em que estágio se encontram estas pesquisas?
DI - Ainda estamos em uma fase inicial em ambas as linhas de pesquisa: Sobre a fluidoterapia, estamos terminando um experimento que mediu a germinação de sementes de dois grupos, um regado com água normal e outro com água fluidificada no centro espírita, os resultados estão sendo analisados estatisticamente. Este mesmo modelo com sementes deve ser feito para passes e oração. Uma de nossas alunas do curso de extensão da UNISANTA, é bióloga e esta preparando um experimento com peixes ornamentais sob ação do passe, medindo alterações de comportamento de procriação.
Com relação à fisiologia da mediunidade estamos traçando um perfil de sintomas percebidos por médiuns antes, durante e após o transe mediúnico, para em um segundo tempo, medir as alterações fisiológicas.
Infelizmente não tenho resultados para lhe adiantar, mas estamos trabalhando para isso
TE - Pediríamos que o senhor deixasse sua mensagem final.
DI - Acho que devemos buscar, cada vez mais, pela ciência, a explicação daquilo que ainda chamam de "misticismo", devemos usar a ciência como arma poderosa para transformar a sociedade tornando-a mais tolerante e mais solidária, mas não podemos nos esquecer que a fé é elemento fundamental, e esta vem do coração, não do cérebro, por isso a doutrina espírita é maravilhosa, pois permite juntarmos em um só pensamento a ciência, a filosofia e a religião. Vamos abrir nossas mentes e nossos corações para acompanhar esta grande mudança que se opera em nosso planeta.
DR Décio Iandoli Jr.
É médico, formado pela Universidade São Francisco, em Bragança Paulista, no ano de 1987.
Especializou-se em Cirurgia Geral e em Cirurgia do Aparelho Digestivo pela Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo, no Hospital Guilherme Álvaro, ligado à Faculdade de Ciências Médicas de Santos.
É membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia do Aparelho Digestivo (CBCD).
Foi professor titular da cadeira de “Fisiologia” dos cursos de Biologia, Fisioterapia e Farmácia da Universidade Santa Cecília (UNISANTA) e ministrou as disciplinas de “envelhecimento e espiritualidade” e “Finitude e Temporalidade” no curso de Gerontologia na mesma universidade. Foi professor doutor do departamento de Cirurgia do Centro Universitário Lusíada – Faculdade de Ciências Médicas de Santos (UNILUS-FCMS) Transferiu-se para a cidade de Campo Grande, MS em janeiro de 2009, ingressando como professor nível V no curso de medicina da UNIDERP (Universidade para o Desenvolvimento do Estado e do Pantanal), onde leciona nos módulos de Habilidades Médicas e no Laboratório Mórfo-funcional para alunos do 1º, 3º 4º anos.
Ingressou no corpo clínico da Clinica SCOPE, em Campo Grande, (www.clinicascope.com.br) passando a ser o médico responsável pelo serviço de motilidade do aparelho digestivo. Participou da fundação do Centro Espírita Vinha de Luz em Campo Grande, MS, onde é membro colaborador.
Assista a entrevista “Reencarnacao e Biologia”no linkhttp://www.blinkx.com/video/reencarna-o-e-biologia-dr-cio-andoli-jr/2rfaDEHF66HgUo99Qeez7Q
Veja outros videos com o Dr Decio Iandoli :
http://www.youtube.com/watch?v=Pa08PlGvPl0