Falava-se
aí, nesse conclave do plano invisível, com
respeito à propagação da nova fé,
em todas as regiões do mundo, procurando-se estudar
as possibilidades de cada país, no tocante ao grande
serviço de restauração do Cristianismo,
sem suas fontes simples e puras.
Após várias considerações, em
torno do assunto, o diretor espiritual da grande reunião
falou com segurança e energia:
—“Irmão
de eternidade: no mundo terrestre, de modo geral, as doutrinas
espiritualistas, em sua complexidade e transcendência,
repousam no coração da Ásia
adormecida; mas, precisamos considerar que o Evangelho do
Divino Mestre não conseguiu ainda harmonizar essas
variadas correntes de opinião do espiritualismos
oriental com a fraternidade perfeita, em vista de as nações
do Oriente se encontrarem cristalizadas na sua própria
grandeza, há alguns milênios.
Em
breve, as forças da violência acordarão
esses países que dormem o sono milenares do orgulho,
numa injustificável aristocracia espiritual, a fim
de que se integrem na lição da solidariedade
verdadeira, mediante os ensinamentos do Senhor! . . . Urge,
pois, nos voltemos para a Europa
e para a América,
onde, se campeiam as inquietações e ansiedades,
existe um desejo real de reforma, em favor da grande cooperação
pelo bem comum da coletividade. Certo, essa renovação
é sinônima de muitas dores e dos mais largos
tributos de lágrimas e de sangue; mas, sobre as ruínas
da civilização ocidental, deverá florescer
no futuro uma sociedade nova, com base na solidariedade
e na paz, em todos os caminhos dos progressos humanos .
. . Examinemos os resultados dos primeiros esforços
do Consolador, no Velho Mundo! . . .”
E os representantes dos exércitos de operários,
que laboram nos diversos países da Europa e da América,
começaram a depor, sobre os seus trabalhos, no congresso
do plano invisível, elucidando-os sinteticamente:
— “A França
– exclamava um deles - , berço do grande missionário
e codificador da doutrina, desvela-se pelo esclarecimento
da razão, ampliando os setores da ciência humana,
positivando a realidade de nossa sobrevivência, através
dos mais avançados métodos de observação
e de pesquisa. Lá se encontram ainda numerosos mensageiros
do Alto, como Denis,
Flammarion
e Richet,
clareando ao mundo os grandes caminhos filosóficos
e científicos do porvir.”
— “A Grã-Bretanha
– afirmava outro – multiplica os seus centros
de estudos e de observação, intensificando
as experiências de Crookes
e dissolvendo antigos preconceitos.”
— “A Itália
– asseverava novo mensageiro – teve
um Lombroso o início de experiências decisivas.
O próprio Vaticano se interessa
pela movimentação das idéias espiritistas
no seio das classes sociais, onde foi estabelecido rigoroso
critério de análise no comércio dos
planos invisíveis com o homem terrestre.”
—
“A Rússia,
bem como outras regiões do Norte – prosseguia
outro emissário -, conseguira com Aksakof
a difusão de nossas verdades consoladoras. Até
a corte do Czar se vem interessando nas experimentações
fenomênicas da Doutrina.”
—
“A Alemanha
– afirmava ainda outro – possui numerosos físicos
que se preocupam cientificamente com os problemas da vida
e da morte, enriquecendo os nossos esforços de novas
expressões de experiência e cultura...”
Iam
as exposições a essa altura, quando uma luz
doce e misericordiosa inundou o ambiente da reunião
de sumidades do plano espiritual. Todos se calaram, tomados
de emoção indizível, quando uma voz,
augusta e suave, falou, através das vibrações
radiosas de que se tocava a grande assembléia:
“Amados
meus, não tendes, para a propagação
da palavra do Consolador, senão os recursos da falível
ciência humana? Esquecestes que os excessos de raciocínio
prejudicaram o coração as ovelhas desgarradas
do grande rebanho? Não haverá verdade sem
humildade e sem amor, porque toda a realidade do Universo
e da vida deve chegar ao pensamento humano, antes de tudo,
pela fé, ao sopro dos seus resplendores eternos e
divinos! . . . Operários do Evangelho: excelente
é a ciência bem intencionada do mundo, mas
não esqueçais o coração, em
vossos labores sublimes . . . Procurai a nação
da fraternidade e da paz, onde se movimenta o povo mais
emotivo do globo terrestre, e iniciai ali uma tarefa nova.
Se o Cristo edificou a sua igreja sobre a pedira segura
e ---- da fé que remove montanhas e se o Consolador
significa a doutrina luminosa e santa de esperança
de redenção suprema das almas, todos os seus
movimentos devem conduzir à caridade, antes de tudo,
porque sem caridade não haverá paz nem salvação
para o mundo que se perde! . . .”
Uma copiosa efusão de luzes, como bênçãos
do Divino Mestre, desceu do Alto sobre a grande assembléia,
assim que o apóstolo do Senhor terminou a sua exortação
comovida e sincera, luzes essas que se dirigiam, como aluvião
de claridades, para a terra generosa e grande que repousa
sob a luz gloriosa da constelação do Cruzeiro.
E foi assim que a caridade selou, então, todas as
atividades do Espiritismo brasileiro. Seus
núcleos, em todo o país, começaram
a representar os centros de eucaristia divina para todos
os desesperados e para todos os sofre-dores. Multiplicaram-se
as tendas de trabalho do Consolador, em todas as suas cidades
prestigiosas, e as receitas mediúnicas,
os conselhos morais, os
postos de assistência, as
farmácias homeopatas gratuitas, os
passes magnéticos, multiplicaram-se, em todo
o Brasil, para a fusão de todos os trabalhadores,
no mesmo ideal de fraternidade e de redenção
pela caridade mais pura.